quarta-feira, 24 de setembro de 2008



Se eu morrer novo,
sem poder publicar livro nenhum
Sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa,
Peço que, se se quiserem ralar por minha causa,
Que não se ralem.
Se assim aconteceu, assim está certo.

Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos,
Eles lá terão a sua beleza, se forem belos.
Mas eles não podem ser belos e ficar por imprimir,
Porque as raízes podem estar debaixo da terra
Mas as flores florescem ao ar livre e à vista.
Tem que ser assim por força. Nada o pode impedir.

Se eu morrer muito novo, oiçam isto:
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi cousa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.


Não desejei senão estar ao sol ou à chuva -
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo
(E nunca a outra cousa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.

Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela unica grande razão -
Porque não tinha que ser.

Consolei-me voltando ao sol e a chuva,
E sentando-me outra vez a porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraido.



Alberto Caeiro


Um dos meus poemas favoritos de FP .

terça-feira, 16 de setembro de 2008



Absorver-te... é um dia inteiro de trabalho, só começar.

É felicidade poder ver-te Ser. Livre. Vago. Pleno.

Amo-te, agora mesmo.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008


Alegre, triste, carinhosa, aborrecida, despistada, idiota, bem disposta, irritada, tolerante, injusta, simpática, arrebatada, agressiva, atrevida, endiabrada, curiosa, desinteressada, (…) mas, acima de tudo, muito, muito apaixonada.


Renovas-me o contrato por mais um ano? :P

ONE

sooooooo happy together!

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Procura-se assunto!


Faz-me alguma confusão como é que algumas pessoas parecem ter sempre assunto.
Alguns mais interessantes, outros de fugir, mas a verdade é que parece que conseguem sempre ter conversa para todas as ocasiões.
Assim que há um minuto de silêncio encaixam logo uma situação qualquer que viram, leram, viveram.. Puxam assunto como quem respira!

E eu, apesar de ter a certeza que sei pelo menos tanto sobre outros tantos temas… que já vivi situações engraçadas que servem mt bem como desbloqueadores de conversa e tudo o mais… Sinto-me perante os silêncios com uma impotência que não me conhecia.

Sei que sou naturalmente muito metida comigo mesma, que mesmo estando calada estou sempre a fervilhar de ideias… mas começo a sentir-me ameaçada por este vazio de pensamentos-partilháveis.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

bottomless hole


às vezes este blog parece-me assim.
não me apetece.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Ooh la la picnic mood

Hj acordei num picnic mood…




As próximas 9 horas serão oficialmente day dreaming com relvinha fresca, salada de fruta e muita risada.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

You go to my head

You go to my head
With smile that makes my temperature rise
Like a summer with a thousand Julys
You intoxicate my soul with your eyes
Tho I'm certain that this heart of mine
Hasn't a ghost of a chance in this crazy romance,
You go to my head.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Insónia


À noite, mesmo com as luzes do quarto apagadas, um halo de milagre sobre a cama, um dia mais secreto, mais íntimo, a modelar as coisas e os corpos. A claridade vinda não sei donde, da pele talvez, transfigurava tudo, as almofadas inchavam de luz, cada prega do lençol desfazia-se e refazia-se numa cadência de onda. O silêncio da rua que o silêncio da chuva, de tempos a tempos, aumentava, acrescentando palavras às vozes. Meu Deus, como com tão pouco se constrói o mundo.

António Lobo Antunes.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Sugestões para atravessar agosto


Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro - e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cães. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só nos lembrarmos disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tantos do tantos de dois mil e tantos e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente.

[...]
Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter demais no tema. Mudar de assunto, escrever rapidamente o ponto final, sinto muito, perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco: .

Caio Fernando Abreu

Gosto de vir aqui...



Vir dizer-te sentimentos por escrito..
Mas é diferente o “gosto de ti” que te escrevo e aquele que te digo quando estamos deitados, no escuro, mesmo antes de adormecer..
Apeteces-me, agora, sempre, repetidamente.. e escrevo-te “sinto a tua falta”.
E é tão diferente a vontade que tenho de ti quando estás perto e posso tocar-te..

Gosto de te escrever, de haver este meio da ponte onde te visito a meio do dia..
Contudo, comparadas com o que sinto, estas palavras não passam de sussurros.
Memórias apenas.. que ficaram na ponta dos dedos.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

{...}É pra lá que eu vou...

É para lá que eu vou...
Para além da orelha existe um som, à extremidade do olhar um aspecto, às pontas dos dedos um objeto - é para lá que eu vou.
À ponta do lápis o traço.
Onde expira um pensamento está uma idéia, ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria, à ponta da espada a magia - é para lá que eu vou.
Na ponta dos pés o salto.
Parece a história de alguém que foi e não voltou - é para lá que eu vou.
Ou não vou? Vou, sim.
E volto para ver como estão as coisas.
Se continuam mágicas.
(...)

Clarice Lispector - "Onde estivestes de noite"

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Sento-me,
endireito as costas,
estendo os braços em direcção ao teclado,
fecho os olhos
e deixo as mãos caírem nas teclas.

Sinto-te aqui,
a deslizar pelo meu corpo..
a escorrer pelas minhas veias.

Vertemo-nos, como água, que passa de um co(r)po para o outro.

E a cada dia me sinto mais de ti,
a cada dia te sinto um pouco mais de mim.

Regresso


Regressei à leitura.

Escolhi um livro que li pela 1ª vez em 2002, quando ainda procurava ajustar-me à Lisboa de ritmo agreste e impiedoso.
Onde estivestes de noite”, de Clarice Lispector.

(...)
Um diálogo que ela fazia consigo mesma:
- Está fazendo alguma coisa?
- Estou sim: estou sendo triste.
- Não se incomoda de ficar sozinha?
- Não, eu penso.
Às vezes não pensava. Às vezes a pessoa ficava sendo. Não precisava fazer. Ser já era um fazer. Podia-se ser devagar ou um pouco depressa.
(...)
Apaixona-me a escrita perturbante e orgânica, desta que é uma das minhas mais frágeis, inquietantes e favoritas escritoras.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

pausa estival


Como um móvel que não se limpa a toda a hora, vamos acumulando o pó dos dias.
Mudamos… não se sabe bem quando..mas aos poucos, deixamos de nos parecer com coisa nenhuma.

Precisamos respirar mais devagar, procurar o sítio mais confortável para nos sentar.

Amolecemos, ou estamos apenas a reunir energia para a viragem?

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Hoje, no meu poemário

Certos Outros Sinais

Navegamos por águas longe e pelo nevoeiro. A bordo do nosso navio fantasma SOMOS O QUE SOMOS e ao nosso redor apenas o chapinhar das águas misteriosamente calmas de encontro ao casco nos impressiona e informa. Acreditamos que jamais o homem será escravo enquanto houver um só Poeta, isolado e ignorado que seja, a reclamar de si mesmo a decisão ou indecisão magníficas.

O homem não é um "animal". Esta catalogação é um erro da Biologia.

Agrada-me profundamente saber que estou num ponto do Universo que necessita ser esticado para o lado de fora, quero dizer: para a minha frente. Se rebentar é a minha mais profunda aspiração que foi satisfeita!

O Futuro é tão antigo como o Passado. E ao caminharmos para o Futuro, é o Passado que conquistamos!


(...)

in Poesia, António Maria Lisboa

quarta-feira, 30 de julho de 2008


É importante que nos lembremos do valor daquilo que não podemos tocar.

Não é verdade que o espaço vazio dentro da chávena é o que a torna útil?

Da mesma forma, o silêncio entre os passos, os espaços entre as notas musicais e os espaços vazios no próprio espaço contêm todos os mistérios das suas formas possíveis.


Vera Mantero

quarta-feira, 23 de julho de 2008



Há dias em que semeio inquietude e dúvidas em quem gosta de mim.
Vezes em que não ouço, ou que desiludo..

palavras ou gestos que não meço e são como encontrões nos ombros amigos..
Sei que já fui, e serei, vil, vadia e irremediavelmente amoral.

Prometo apenas uma coisa: Continuarei a ser mais o que gosto do que o que interessa.

terça-feira, 22 de julho de 2008


Caminho contigo,
pela parte mais escura do mundo.
Copo na mão, dissecar ideias.


Viver por inteiro exige que se expulse a virtude.

segunda-feira, 21 de julho de 2008


No início os dias parecem passar mais devagar..
mas, apesar do corpo cansado, anima-me o pensamento
das manhãs vermelhas em que vou acordar,
das flores nas novas janelas,
dos braços que continuarão a acariciar-me nesta nova vida,
das músicas novas misturadas com as antigas nessas divisões do recomeço.

Anima-me o eco
dos caminhos a percorrer,
de todos os efémeros e inomináveis,
de todas as primeiras vezes a conquistar
Contigo.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

A sonhar com as férias..


Cada vez que olho pela janela só me apetece esgueirar.
Repito, inquieta, frenética:
“amanhã, férias,
amanhã, férias,
amanhã, férias,
amanhã, férias,
amanhã, férias,
amanhã, férias”..

E o tempo que não passa…

terça-feira, 24 de junho de 2008


Por vezes temos dentro de nós cartas que vamos escrevendo ao longo dos anos. Folhas que colocamos num envelope com endereço incompleto.. destinatário incerto/desconhecido. Desejos, anseios, medos, lugarzinhos que sabemos ser aquela pessoa a certa para se partilhar. E seguimos, cada dia um apontamento.. cada ano muitas confissões. Passa o tempo e quase nos esquecemos que as escrevemos para alguém, parece que já só as escrevemos para nós.. E depois há um dia em que, ao colocarmos mais uma folha, vemos que há um nome escrito.. Que tudo o que escrevemos e colocámos no envelope encontrou um nome por si.


O teu nome.

Partilhar, sem deixar de nos pertencer.

Escrever um novo capítulo, nessa tinta vermelho espessa que é o que nos une.
Na partilha os rostos e os corpos transformam-se. O teu e o meu.
Crescemos, aprendemos, ficamos a conhecer melhor o que tens dentro, o que tenho dentro.

segunda-feira, 23 de junho de 2008


Nunca ninguém chegou tão fundo em mim como tu.
Em todos os sentidos, e literalmente :)


Também nunca ninguém me elevou tão alto.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Quando só apetece fugir...


... a única coisa a fazer é redobrar os esforços.
... contrariar aquelas horas em que não conseguimos ser mais
do que uns lábios cerrados,
sorrisos forçados no canto da boca,
olhares baixos e irados.












"Vivemos as nossas vidas, fazemos seja o que for que fazemos e depois dormimos: é tão simples e tão normal como isso. Alguns atiram-se de janelas, ou afogam-se, ou tomam comprimidos; um número maior morre por acidente, e a maioria, a imensa maioria é lentamente devorada por alguma doença ou, com muita sorte, pelo próprio tempo. Há apenas uma consolação: uma hora aqui ou ali em que as nossas vidas parecem, contra todas as probabilidades e expectativas, abrir-se de repente e dar-nos tudo quanto jamais imaginámos, embora todos, excepto as crianças (e talvez até elas), saibamos que a estas horas se seguirão inevitavelmente outras, muito mais negras e mais difíceis. Mesmo assim, adoramos a cidade, a manhã, mesmo assim desejamos, acima de tudo, mais."

Michael Cunningham - "As Horas"

terça-feira, 17 de junho de 2008

suspicious minds

How strange that all
The errors, pains, and early miseries,
Regrets, vexations, lassitudes interfused
Within my mind, should e'er have borne a part
And that a needful part, in making up
The calm existence that is mine when I
Am worthy of myself.


W. Wordsworth




Como é estranho que todos
Os erros, sofrimentos e males de outrora,
Remorsos, humilhações e cansaços misturados
Na minha alma, tenham tido a sua parte,
A sua necessária parte, na criação
Desta calma existência que é a minha quando
Sou digno do meu ser.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

splash!


Este post fugaz a meio da tarde sou eu.
Estas palavras saídas desta luz cinzenta sou eu.
Estes pensamentos sou eu, que digo e escrevo pouco.
Estes sonhos pequeninos sou eu.

Gosto do que sei que sou.

domingo, 8 de junho de 2008


A moleza toma conta do corpo..
No princípio tímida, mas aos poucos vai-se transformando..
suspendendo-me numa melancolia silenciosa.. invasora.
As palavras tornam-se espaçadas, dispersas.. o sono domina.
Apesar de, cá dentro, crepitarem diálogos.


sexta-feira, 6 de junho de 2008

Profundo é aquele espaço criado pela acção de algo não feito para estar no espaço e que o cria para que alguém que vive no espaço e anda por ele possa contactá-lo.
A profundidade impõe tanto e é tão misteriosa porque é o espaço que sentimos criar-se, pela acção de algo que está a ponto de trair o seu ser para oferecê-lo numa entrega suprema, como é toda a entrega daquilo que não se tem primariamente e se adquire para entregá-lo a quem somente assim pode ir a quem o chama.

O profundo é uma chamada amorosa.
Por isso, toda a gruta atrai.

María Zambrano - "A Metáfora do Coração"

Não gosto de...

Acordar de manhã com aquela sensação
que fica depois dos sonhos eróticos..

a vontade desesperada de fechar os olhos
e voltar a sonhar, retomar o ritmo interrompido..
e não conseguir!

terça-feira, 3 de junho de 2008




É verdade que os sonhos são a preto e branco?

Hoje não acredito!


Não me lembro muito bem qual o contexto,

mas tenho a certeza que hoje estive neste cenário!

Morning Ball



Acordar devagarinho, lentamente.
Ao lado, o teu corpo pesado, descontraído.
Os pensamentos perdidos.

Escrever-te uma carta,
deixar debaixo da tua almofada
e vir prá rua, só metade,
passo a passo.


Todos os dias tenho saudades de todas as manhãs.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

feeling like... Cointreau Teese !


Ingredients:

1 1/2 oz Cointreau
1 oz Apple juice
1/2 oz Monin violet syrup
1/2 oz Fresh lemon juice



Shake ingredients in martini shaker over ice.
Garnish with a lovely contrasting yellow lemon peel (I love purple + yellow together)
If you're feeling extra domestic, garnish additionally with sugared violets or pansies.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

quarta-feira, 28 de maio de 2008




Horas depois, quando já se adivinhava o sono, a inquietude voltou.
E o mergulho profundo só foi possível quando a última gota de vida nos abandonou e o corpo secou.


O desejo impera.



terça-feira, 27 de maio de 2008




Querer ir.
Mesmo sabendo que o que nos espera é o silêncio, que temos pela frente a turbulenta intolerância.

Ir.
Na convicção dos sentimentos, as mãos em direcção a esse peito que é também abrigo.

Estar.
Palavras abafadas. Não escorregar nos suspiros.

Continuar.
Na meia luz. Tentar alguma serenidade. A noite normalmente traz descanso.

segunda-feira, 26 de maio de 2008


Devo ter desejado com muita convicção, porque de um dia para o outro mergulhei voluntaria e sem reservas nessa companhia fugidia, volátil, insegura, incerta, voraz e silenciosa que és tu.

E continuar, ainda mais convicta, a gostar de estar nos meandros deste encanto, movida por desejos crescentes por saciar… é a surpresa.
Não me imaginava assim, sussurrante, suspirante, a testemunhar esta mutação dos afectos :)

o sexo e a ansiedade

















Gosto muito do que fazes por mim. É simples de pensar.
Sei que escolho, na maioria das vezes, guardar para dentro o que vou sentindo. Mas vai saindo.
Vicio-me cada vez mais nas nossas partilhas e na simples necessidade que tenho de te olhar e observar.
Quero-te minha. E "quero-nos nossos". Por tempo indeterminado.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

unveiling


Ontem pedias-me que te segredasse o meu desassossego,
O que me fazia tremer os joelhos..
Não to disse por ser uma daquelas coisas que quando ditas perdem a verdade.

Fantasiava contigo e com um ritmo que habitualmente não é o meu.

quarta-feira, 21 de maio de 2008



Hoje apetece-me ficar assim apenas…
faz-de-conta que para sempre.
Em silêncio…
a reviver cada momento de partilha.
Hoje vou fantasiar às escondidas..
deixar-me arrastar neste remoinho de sonhos e verdades.

terça-feira, 20 de maio de 2008

call for duty



Uma desconfortável dor de tornozelo
pode transformar-se numa oportunidade
para explorar todos os toques e sentidos.

Duty calls!

Happy Girl on a Gloomy Day


Apesar da falta de cor
no vou ficar à espera
de mudanças imprevistas,
de impossíveis e insólitas conquistas.

Não vou deixar de sentir,
passar os dias contemplativa,
entre o sonho e a fantasia,
só porque nasceu cinzento um dia.






segunda-feira, 19 de maio de 2008

Miss Understood

«Pois com certeza que é — disse Ângelo. — Portanto, os indivíduos em questão
[os filósofos] estudaram tão minuciosamente e tão a fundo todas as formas
do pensamento, que essas mesmas formas lhes vão encobrir o próprio pensamento.
Se lhes puser estas verdades diante do nariz, hão-de querer tapar-lhe os olhos
com outro pedaço de forma. Acabaram, de facto, por conseguir enriquecer a sua forma
com grande número de peças e engenhosos dispositivos mecânicos, de modo que
tentam confundi-la com o próprio pensamento em questão, cuja natureza,
puramente física e de ordem reflexa, emotiva e sensorial, lhes escapa totalmente.
— Não percebi nada — disse Manjamanga.
— É como no jazz — disse Ângelo. — O transe!
— Estou mais ou menos a ver — disse Manjamanga. — Quer você dizer que do mesmo modo que há indivíduos sensíveis ao jazz, outros há que o não são.
— Isso mesmo — disse Ângelo. — Quando se entra em transe, é curiosíssimo ver as pessoas a falar, a manobrar as suas formas. Quero eu dizer: quando se sente o pensamento, quando se sente a coisa material.
— Você é um bocado confuso — disse Manjamanga.
— Nem pretendo ser claro; aborrece-me imenso tentar explicar uma coisa que para mim é da maior clareza — disse Ângelo. — E, aliás, estou-me perfeitamente nas tintas para que os outros possam partilhar ou não dos meus pontos de vista.
— Não se pode discutir consigo — disse Manjamanga.
— Crei bem que não — disse Ângelo. — Mas, ao menos, há a circunstância atenuante de ser esta a primeira vez, desde o início, que me atrevo a dizer qualquer coisa deste género.»

Boris Vian - "O Outono em Pequim"


Gosto de pessoas livres no seu pensar.
Não gosto de dar explicações.
Gosto da indiferença às opiniões contrárias.
Não gosto de pessoas irredutíveis.
Gosto de só considerar os pontos de vista que me apetecem.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Dizia J. Locke que todas as coisas boas que são realmente úteis à nossa vida, à nossa necessidade de subsistir, são normalmente coisas de curta duração, de tal modo que, se não forem consumidas pelo uso, se deteriorarão e perecerão por si mesmas.

Acho que posso justificar assim a fome constante que tenho de partilhar contigo o mais comum e banal.
Porque há coisas que sinto tão perenes que tento consumi-las na maior quantidade possível antes que acabe o prazo de validade :)

quarta-feira, 14 de maio de 2008


Dizia a Susana Tamaro, no posfácio ao Nome da Rosa, de U. Eco:

Penso na atitude pós-moderna como a daquele homem que ama uma mulher muito culta e que sabe que não lhe pode dizer “Amo-te loucamente” porque ele sabe que ela sabe (e que ela sabe que ele sabe) que aquelas palavras já foram escritas por Barbara Cartland. Ainda assim, há uma solução. Ele pode dizer “Tal como Barbara Cartland diria, amo-te loucamente”. Nesse momento, tendo evitado a falsa inocência, tendo dito claramente que já não é possível falar inocentemente, ele terá contudo dito o que queria dizer à mulher: que a ama, mas que a ama numa época de inocência perdida. Se a mulher for nisto, terá recebido, de qualquer modo, uma declaração de amor. Nenhum dos dois interlocutores se sentirá inocente, ambos terão aceite o desafio do passado, do que já foi dito e não pode ser eliminado, ambos jogarão conscientemente e com prazer o jogo da ironia... Mas ambos terão conseguido, uma vez mais, falar de amor.

terça-feira, 13 de maio de 2008

À bout de souffle Mood


Gostava de te escrever sobre o que me traz aqui diariamente, sobre o que me move na escolha destas palavras que te vou deixando dia após dia..
Partilhar contigo como por vezes me sinto, quando acho vãs as coisas que aqui registo.
Como espero sempre escrever algo que te seja novo, ou que seja, no mínimo, menos desinteressante que o que escrevi no dia anterior..
Falar-te do que me anima, dessa miragem que é o encantamento que as palavras prometem…
Dos instantes que antecedem o início de cada post..
De todas as emoções que vou dissolvendo nas minhas palavras singelas.
Dos dias em que te sinto tão mais à flor da minha pele que penso “desta vez é que é”, cheia de esperança que vou finalmente conseguir ilustrar tudo o que sinto e me fascina..

Mostrar-te que, apesar desta sensação de falhanço que sucede a cada post, fica sempre a vontade de voltar a tentar chegar a esse lugar inatingível que é aquela sensação de ter escrito exactamente o que te queria dizer.
O beijo que me apetece dar-te hoje

http://www.youtube.com/watch?v=Kx9nWdDRp1s

segunda-feira, 12 de maio de 2008


Por vezes sinto as tuas reacções à minha verdade precipitarem-me para a mentira.


Não sei se uma mentirinha tosca e vã.. daquelas que fazem rir..

Se uma vontade de simplesmente não te dizer a verdade.


Sei uma coisa: Não quero vir a sentir que para ser verdadeira comigo terei de te mentir.

Denny Rose Mood



Eleganza – Rua Do Carmo, n° 31, Lj.7
Vanity – Rua Ferreira Borges, 147b
Garota Carioca - Praça De Touros, Campo Pequeno, Lj. 40
Preferia qualquer um destes sitios a estar aqui :P

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Miu Miu mood





apetece-me uma viagem ao kitsch, exagerado e excêntrico, fora do comum...
apetece-me sonhar todos os sonhos.

apetece-me ficar barroquinha e extravagante.
render-me ao luxo puro.

It's all right.




Um elogio às noites mais chuvosas,
aos dias mais cinzentos,
aos confrontos mais violentos.



É no choque que se revela a minha natureza,
é na fúria que me renovo.
Salvo-me cada vez que explodo.




Um elogio a ti,
Por jamais me deixares sentir saciada
Por me levares a procurar avidamente
Por me destravares a alma inocente.



É quando me desprendo que encontro paz no que sou.

quarta-feira, 7 de maio de 2008


Não sei sobre o que me apetece escrever..

Falar de um lugar com sabor a novo?

Revisitar algum dos momentos que estes 8 meses encerram?

Não sei…

Há palavras que me parecem agora tão frágeis que não ouso escrevê-las.


Gostava de encontrar de novo o teu olhar próximo, os teus gestos subtis.


terça-feira, 6 de maio de 2008

manter elegante e polido?
deixar esvaziar até perder a forma?

dunno.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

killing all ghosts


Não há dúvidas que sejam infinitas.
Talvez porque não me corre nas veias sangue idealista.

Sinto apenas algum cansaço.
Nem sei dizer particularmente se disto ou daquilo.
Cansaço apenas.
De tudo, de nada.

Esvoaço,
Tropeço,
Desço profundo...

Mas fica a certeza,
apesar do cansaço,
que nada do que faço
é infecundo.

quarta-feira, 23 de abril de 2008








amortecedores


amortece dores


amor tece dores

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Abrir o coração, pelo amor que temos à verdade e à honestidade, não é senão a prova de que consideramos, mais do que a fidelidade, a lealdade e a sinceridade.

Nem sempre é fácil confessar, nem sempre se consegue ficar de ânimo leve depois de ouvir.
Quem ouve, tenta relativizar, quem confessa, tenta reparar.

No fim, resta a confiança, abalada em maior ou menor grau, e alguma fé no amor.

outros dias