Regressei à leitura.
Escolhi um livro que li pela 1ª vez em 2002, quando ainda procurava ajustar-me à Lisboa de ritmo agreste e impiedoso.
“Onde estivestes de noite”, de Clarice Lispector.
(...)
Um diálogo que ela fazia consigo mesma:
- Está fazendo alguma coisa?
- Estou sim: estou sendo triste.
- Não se incomoda de ficar sozinha?
- Não, eu penso.
Às vezes não pensava. Às vezes a pessoa ficava sendo. Não precisava fazer. Ser já era um fazer. Podia-se ser devagar ou um pouco depressa.
- Está fazendo alguma coisa?
- Estou sim: estou sendo triste.
- Não se incomoda de ficar sozinha?
- Não, eu penso.
Às vezes não pensava. Às vezes a pessoa ficava sendo. Não precisava fazer. Ser já era um fazer. Podia-se ser devagar ou um pouco depressa.
(...)
Apaixona-me a escrita perturbante e orgânica, desta que é uma das minhas mais frágeis, inquietantes e favoritas escritoras.
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