Dizia a Susana Tamaro, no posfácio ao Nome da Rosa, de U. Eco:
Penso na atitude pós-moderna como a daquele homem que ama uma mulher muito culta e que sabe que não lhe pode dizer “Amo-te loucamente” porque ele sabe que ela sabe (e que ela sabe que ele sabe) que aquelas palavras já foram escritas por Barbara Cartland. Ainda assim, há uma solução. Ele pode dizer “Tal como Barbara Cartland diria, amo-te loucamente”. Nesse momento, tendo evitado a falsa inocência, tendo dito claramente que já não é possível falar inocentemente, ele terá contudo dito o que queria dizer à mulher: que a ama, mas que a ama numa época de inocência perdida. Se a mulher for nisto, terá recebido, de qualquer modo, uma declaração de amor. Nenhum dos dois interlocutores se sentirá inocente, ambos terão aceite o desafio do passado, do que já foi dito e não pode ser eliminado, ambos jogarão conscientemente e com prazer o jogo da ironia... Mas ambos terão conseguido, uma vez mais, falar de amor.
Penso na atitude pós-moderna como a daquele homem que ama uma mulher muito culta e que sabe que não lhe pode dizer “Amo-te loucamente” porque ele sabe que ela sabe (e que ela sabe que ele sabe) que aquelas palavras já foram escritas por Barbara Cartland. Ainda assim, há uma solução. Ele pode dizer “Tal como Barbara Cartland diria, amo-te loucamente”. Nesse momento, tendo evitado a falsa inocência, tendo dito claramente que já não é possível falar inocentemente, ele terá contudo dito o que queria dizer à mulher: que a ama, mas que a ama numa época de inocência perdida. Se a mulher for nisto, terá recebido, de qualquer modo, uma declaração de amor. Nenhum dos dois interlocutores se sentirá inocente, ambos terão aceite o desafio do passado, do que já foi dito e não pode ser eliminado, ambos jogarão conscientemente e com prazer o jogo da ironia... Mas ambos terão conseguido, uma vez mais, falar de amor.
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