sexta-feira, 30 de novembro de 2007


Quantos somos, tu e eu?
Conhecemo-nos de verdade?
Vemos apenas metade?

Quantos somos quando amamos?
Um apenas? Dois, três?
Quando nos olhas, quantos vês?

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

gosto de ti e de tudo o que nos tem acontecido.

às vezes pergunto-me se sei mesmo pq gosto tanto de ti..
por vezes ocorrem-me respostas tão evidentes e inquestionáveis como a beleza do teu corpo.. do teu rosto.. como a ternura dos teus olhos pequeninos e brilhantes.
Mas, apesar de ser verdade, e de também gostar de ti pelo que é mais visível, há todo um mundo de coisas, pequeninas e grandes, que me chamam para ti.
Gosto de ti por te pareceres comigo, mesmo quando és ainda mais silencioso do que eu.
Gosto porque me dizes que sou bonita e me mimas, gosto porque me perguntas se tenho frio e se quero o teu casaco, gosto porque me fazes chocolate quente ou chá..gosto porque me dizes, sem melindres: "estás a empurrar-me da cama, chega-te pra lá" :)
Gosto porque não te importas que eu seja distraída e diga coisas tontas, gosto porque te ris quando já não quero falar mais ao telefone, gosto porque quando me seguras a mão eu esqueço o mundo à volta.
Gosto porque te admiro, gosto pelo teu humor, gosto pelo que tu gostas, gosto pelo que tu és e não vês.

Dizes e fazes as coisas mais inacreditáveis e nem te dás conta.

Gosto de ti quando estamos sozinhos...
e gosto sem medida quando te vejo com as tuas meninas. Ficas enorme, grandioso...Completo.
Acho que essa é nessas alturas que mais ÉS, que te revelas.

Gosto quando me apertas a cintura com as mãos, como o laço apertava a caixa de flores que recebi hoje.

Amo-te, assim, de braços abertos e na pontinha dos pés!

every morning I love you more and more

O dia amanheceu cedo e frio.
Um pequeno almoço demorado contigo sabia mesmo bem, mas o trabalho estava à minha espera...
Fiz-me à estrada, por entre ruas cinzentas e pessoas enregeladas e cabisbaixas.
Olhei para o céu, que se esforçava por ficar azul..
Esforcei-me também para chegar a casa depressa, enfiar-me na banheira e fazer de conta que a água quente eram os teus dedos a fazer festinhas na minha pele.
Fiz-me à estrada outra vez, o trabalho continuava à espera.
Agora, esforço-me por fazer-de-conta que ainda estou abraçada a ti, quentinha como nas manhãs demoradas de sábado.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007


Hoje planto um sorriso neste canteiro
no cyber-espaço
Semeio palavras e o meu corpo inteiro

Como se fosse o teu regaço.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ser senão o visível!



Alberto Caeiro

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

contra-relógio

hoje há uma distância tão grande entre as horas
que é preciso apanhar um comboio
para ir de um minuto a outro



quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Às vezes sinto palavras a correr até à boca e a saltar com toda a força. Numa urgência algo patética de dizer não só o que penso, mas sobretudo aquilo que sinto.

Gostar de ti é mais do que estar contigo todos os dias,
do que tomar um vinho na penumbra,
do que confessar-te alguns dos meus pecados.
É conseguir dizer-te que te gosto,
do que gosto, como gosto.
Sem vergonha.
Há uma distância ínfima
Entre o teu sexo e o meu.
Há uma palavra não dita
Entre o teu sexo e o meu.
Há o contacto adiado
O desejo simulado
As carícias indistintas
E a voz que a nada soa
E do corpo não ecoa
O querer e a vontade.
Há um ténue véu tecido
Entre o teu sexo e o meu.
Há um segredo escondido
Entre o teu sexo e o meu.
Há o grito reprimido
O prazer não consumado
O intuito definido
Num secreto esconderijo
Entre as coxas que se calam.

Há um encontro marcado
Entre o teu sexo e o meu.


by Encandescente

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

urgência

meio vestida
semi-nua
na minha casa
na tua
contra a parede
no sofá

sou só tua
toda tua

quero-te
já!

terça-feira, 20 de novembro de 2007

sem palavras

Todos seríamos bem mais felizes se o amor nos iluminasse tanto que nos permitisse ser sempre belos e sublimes, tanto nas palavras como nos gestos.

Gostava de conseguir expressar em beleza tudo o que sinto e encontrar sempre as palavras mais bonitas e adequadas a ti.

Na falta delas, escrevo-te estas linhas triviais, na esperança que te levem a adivinhar alguns dos meus pensamentos.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007


Não gosto de dias de chuva.

Não gosto da roupa e cabelos ensopados.
Não gosto dos sapatos enlameados.
Não gosto dos dedos gelados.

Não é romântico, não é poético.

Se quiser andar agarradinha a ti na rua não preciso que esteja a chover, nem do constrangimento de um guarda-chuva entre nós.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Vamos
tomar
uma
latinha
destas
todas
as
manhãs?



quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Vem, dá-me a mão :)

As palavras estão muito ditas
E o mundo muito pensado.
Fico ao teu lado.

Não me digas que há futuro
Nem passado.
Deixa o presente - claro muro
Sem coisas escritas.

Deixa o presente. Não fales,
Não me expliques o presente,
Pois é tudo demasiado.

Em águas de eternamente,
O cometa dos meus males
Afunda, desarvorado.

Fico ao teu lado.


Cecília Meirelles

The danish poet

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

de profundis amamus

Ontem às onze
fumaste um cigarro
encontrei-te sentado
ficámos para perder
todos os teus eléctricos
os meus estavam perdidos
por natureza própria

Andámos
dez quilómetros a pé
ninguém nos viu passar
excepto claro os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto pelos porteiros

Olha como só tu sabes olhar
a rua
os costumes
O Público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
e há quatro mil pessoas interessadas
nisso
Não faz mal
abracem-me os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo

decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
não te importes muito
nós só temos a ver
com o presente perfeito

corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados maravilhosos únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso

Mário Cesariny

straight forward

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Raramente me preocupo ou procuro saber se a vida tem mesmo algum sentido. Na maior parte do tempo limito-me a ser como as crianças, que não se colocam essas questões. Outras vezes, simplesmente vivo como se a questão nem existisse.
Entre uns dias e outros acontecem manhãs como as de hoje, em que saio de casa e não consigo manter-me ao nível da inocência com que tenho vindo a atravessar os dias.
Tudo me parece muito misterioso, à procura de respostas. Tudo me parece cansado, fatigado, desacreditado.

É urgente livrar-me desta sensação de “descobrir que o prémio afinal não é tão valioso como parecia”, libertar-me deste peso de engano.

O ideal era nem precisar confrontar-me com questão nenhuma. Até porque o mais provável seria concluir que todas as respostas soam ao mesmo: Se nos perguntamos em demasia, tudo é em vão.

Já dizia Homero: Insignificantes mortais que como as folhas desabrocham e aquecem de vida, e se alimentam do que o chão lhes dá, para logo murcharem e de seguida morrerem.

A única coisa capaz de me tranquilizar nestes momentos é a fé inabalável de que o amor traz mesmo algum sentido, tal como a arte, a música, o sexo.. Onde encontro felicidade, harmonia, que me vão ditando o ritmo aos passos.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Não sei como dizer-te que a minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e casta.
Não sei o que quer dizer, quando longamente os teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
- eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.

Quando as folhas de melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu ascético escuro e em turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a minha cara ardesse pousada na noite.
- E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
- não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.

Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me falta
um girassol, uma pedra, uma ave qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o leite, a mãe,
o amor,

que te procuram.



Herberto Hélder

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