achar-me razoavelmente justa e bem sucedida na atribuição de um valor às coisas e factos tem-me ajudado a permanecer num limbo, dormente, sem grandes picos de emoções, em que tudo cai facilmente no esquecimento.o truque consiste essencialmente em aprender a não sobrestimar o que nos delicia, de modo a que, quando nos virmos privados disso, não darmos em malucos.
contudo, por mais confortável que pareça, por mais que nos convençamos que nos satisfazemos perfeitamente com este gostar trivial.. temos sempre presente aquele peso, aquele espaço em branco, aquela urgência de sentir.
quando há dias nos conhecemos, estava na vida como estamos nas noites de insónias, viramo-nos para um lado e outro, mas não conseguimos que o conforto de cada posição dure mais do que uns segundos e continuamos a remexer-nos, até adormecer de cansaço o corpo.
não procurava propriamente um ombro, como quem procura o melhor lado da cama.. nem tinha qualquer expectativa que viesses resolver o que quer que fosse...
mas quando te encontrei apaixonei-me por tudo o que senti.
viciei-me na felicidade imediata, na alegria sem explicação.. viciei-me nas manhãs em que me sinto acordada, em andar na rua de mão dada.. viciei-me neste amor imenso.. e no modo como tudo é tão intenso.
desliguei por completo de todos os receios.
tinha saudades de me sentir assim.
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